Responsabilidade social empresarial como ferramenta estratégica das organizações
Publicado em 31/10/2017
Práticas sociais valorizam a imagem das empresas em um contexto político-social e de compliance
A responsabilidade social corporativa está atrelada à forma como as empresas e organizações gerem seus negócios, não só pelo aspecto econômico, mas especialmente pela postura e práticas que adotam no desenvolvimento de suas atividades. Segundo a advogada e coordenadora do Departamento de Assuntos Culturais e Terceiro Setor da Andersen Ballão Advocacia, Marcella Souza Carvalho, essas práticas podem ser desenvolvidas internamente, com investimentos e programas sociais, além de estímulo ao voluntariado de seus colaboradores e parceiros, e externamente pelo viés mercadológico e de análise de impactos causados à comunidade em geral.
No ano passado, um estudo do Instituto ADVB de Responsabilidade Social mostrou que 81% das empresas, em um total de 3.110 pesquisadas em todas as regiões do Brasil, divulgam suas ações sociais com seus públicos e consumidores. E mais de 55% objetivam aumentar em 20% o investimento em projetos sociais externos que desenvolvem. “Ao desenvolver ações e projetos internos com caráter social, a instituição promove a conscientização de seus colaboradores, que poderão continuar no voluntariado para, além das iniciativas da empresa, alcançar outros potenciais projetos e atingir um bem coletivo ainda maior”, acredita Marcella
“A responsabilidade social é também uma estratégia para se destacar perante eventuais concorrentes de marca, já que o consumidor, o mercado e a mídia estão cada vez mais condicionados e conscientizados à procura de serviços, produtos e práticas que acrescentem positivamente ao bem-estar da comunidade e do meio ambiente”, acrescenta Marcella. Uma pesquisa realizada em 2015 pela Nielsen, organização que estuda o comportamento de consumidores de 100 diferentes países, apontou que 66% dos entrevistados estavam dispostos a pagar mais por produtos e serviços ofertados por empresas comprometidas com um impacto social e ambiental positivo.
Não só a nova geração de consumidores, mas também a comunidade em geral já segue essa tendência. A postura de cobrança foi o principal incentivo para as organizações adotarem a responsabilidade sócio-empresarial como uma ferramenta estratégica de seus negócios. “O próprio mercado passou a se autorregular, tanto nacional como internacionalmente, por diretrizes e relatórios de desempenho em responsabilidade social e sustentabilidade”, indica Marcella. A advogada ainda lembra que as exigências pelas iniciativas sociais não devem ser direcionadas apenas às organizações, mas também ao governo, em um exercício ideal de corresponsabilidade.
Vale destacar que a atual crise econômica não deve ser um empecilho para as organizações manterem suas responsabilidades sociais. A empresa não precisa despender enormes gastos para ter atitudes e projetos socialmente responsáveis e incentivar o voluntariado, podendo inclusive utilizar benefícios fiscais que estimulam a prática de atividades nessa seara. “A responsabilidade social pode até mesmo servir como instrumento para amenizar os impactos da crise, ao valorizar a imagem da empresa em um contexto político-social e de compliance”, conclui Marcella.
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