Economia criativa avança no Brasil e exige que empresas tratem cultura como ativo estratégico
Publicado em 02/06/2025
Setor privado pode se tornar impulsionador desse segmento por meio do compromisso com transformação econômica e social
A economia criativa tem se consolidado como uma das frentes mais dinâmicas e estratégicas para o crescimento econômico global. De acordo com a UNESCO, o setor já representa mais de 6% da economia mundial e é um dos maiores empregadores de jovens entre 15 e 29 anos.
No Brasil, esse modelo produtivo avança impulsionado pela força das micro e pequenas empresas, pelo uso crescente de tecnologia e pelo protagonismo de áreas como moda, audiovisual, artesanato, design e desenvolvimento de software. A expectativa é de que a economia criativa gere 1 milhão de novos empregos até 2030, de acordo com o Observatório Nacional da Indústria.
Inclusão Social é um dos pilares
Para Marcella Souza Carvalho, advogada e especialista em Assuntos Culturais e Terceiro Setor na Andersen Ballão Advocacia, o setor combina inovação econômica com inclusão social. “A economia criativa tem capacidade de transformar talentos individuais em cadeias produtivas sustentáveis. É uma alternativa concreta de geração de renda, especialmente em territórios marcados pela diversidade cultural e pela informalidade”, afirma.
Esse avanço, no entanto, ainda encontra barreiras importantes. Em 2023, o Brasil atingiu o maior nível de ocupação na economia criativa da última década, com 7,8 milhões de pessoas empregadas, mas 37% delas ainda em regime informal, conforme levantamento do Observatório da Fundação Itaú.
Marcella destaca que parte dessas dificuldades decorre da falta de estrutura jurídica adequada. “Muitos criadores enfrentam obstáculos para proteger suas obras, formalizar contratos ou acessar linhas de financiamento. A ausência de orientação jurídica expõe esses profissionais e limita o crescimento do setor.”
Impacto das grandes empresas
Nesse cenário, a participação do setor privado é fundamental. “Grandes empresas podem gerar impacto ao contratar serviços criativos com regularidade, fomentar cadeias produtivas locais e integrar a cultura a suas estratégias de inovação, sustentabilidade e diversidade”, analisa a advogada. Segundo Marcella, quando o compromisso empresarial com a economia criativa vai além do patrocínio, suas ações geram oportunidade e valorização para quem cria.
Em 2024, o governo federal lançou as diretrizes da “Política Nacional de Economia Criativa – Brasil Criativo”, com foco em inclusão, diversidade, inovação e sustentabilidade. O documento, construído a partir de diálogos com governos locais, academia e setor produtivo, busca orientar ações públicas e privadas voltadas à valorização do capital cultural brasileiro.
Para Marcella, esse tipo de iniciativa ajuda a organizar o setor, mas o avanço real depende de uma articulação permanente entre criadores, empresas e instituições jurídicas. “A economia criativa não é um apêndice da cultura. Ela é parte do presente e do futuro da economia brasileira. E precisa ser tratada como tal”, conclui.
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