Extensão das licenças-maternidade e paternidade a casais homoafetivos requer regras claras por parte das empresas
Publicado em 05/12/2022
Vivemos tempos de grandes mudanças, e o contexto jurídico tem a necessidade de desvinculação do modelo heteronormativo de família, passando a enxergar que núcleos familiares podem ser formados por uniões homoafetivas, monoparentais etc.
Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a proteção integral das famílias LGBTQIA+, conferindo igualdade de direitos aos casais heteroafetivos e homoafetivos. Dessa forma, as empresas devem se adequar à realidade de uma sociedade em que não é mais admitida qualquer discriminação, conferindo a seus empregados em relações LGBTQIA+ as mesmas condições conferidas àqueles em relações heteroafetivas.
Cabe destacar que tanto a licença-maternidade quanto a paternidade não tem apenas relação com a recuperação física ou psíquica dos pais, mas também engloba a proteção da criança, possibilitando um convívio familiar nos primeiros meses de vida.
Assim, em que pese a ausência de legislação específica, há a possibilidade de extensão da licença-maternidade ou paternidade para os casais em relações homoafetivas.
É conferida igualdade de direitos e condições entre casais hetero e homoafetivos, de forma que, na prática, uma das partes usufrui da licença-maternidade e a outra da licença-paternidade, de forma que, nas relações homoafetivas formadas por homens, os dois não têm direito à licença-paternidade, da mesma forma que, em relações afetivas formadas por mulheres, não têm direito a duas licenças-maternidade.
É importante que o empregador ajuste e formalize por escrito junto aos empregados todas essas questões, em especial se o casal não trabalhar para o mesmo empregador, a fim de coibir que ambos usufruam de licença-maternidade, o que seria incorreto, inclusive crime por prejuízo ao erário, já que seriam duas pessoas percebendo por licenças de mesma natureza previdenciária (maternidade).
Por fim, caso a empresa esteja enquadrada como empresa cidadã, nos moldes da Lei 11.770/2008 e regulamentado pelo Decreto 7.052/2009, há a possibilidade de concessão, tanto da licença-maternidade, quanto da paternidade, de forma estendida, resultando num período de 180 dias para a primeira e 20 dias para a segunda.
*José D’Almeida Garrett Neto é advogado do Departamento Trabalhista da Andersen Ballão Advocacia.
Artigos Relacionados
NR-1: prorrogada a suspensão de sanções pelo Supremo…
A gestão dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho entrou definitivamente na pauta das empresas. Desde 26 de maio de 2026, a nova redação do capítulo…
Leia maisRedução da jornada para 40 horas tem detalhes…
A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima semanal de trabalho já é de amplo conhecimento público. A proposta…
Leia maisA crise no mercado livre de energia elétrica…
A partir de 2025, as regras relacionadas ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), indicador utilizado no mercado de curto prazo de energia elétrica, passaram…
Leia mais